
Chegar ao teatro India não é muito simples… Fica já nos arrabaldes da cidade e não é mais que uma antiga fábrica recuperada para sala de espectáculos. Não tem números marcados nas cadeiras. Não tem sequer cadeiras. Um anfiteatro com vários patamares onde as pessoas se vão sentando. Achei estranho aquela entrada apressada… como tinha bilhete com número marcado (177) fiquei à espera de encontrar o lugar que me esperava. Só depois percebi o meu erro. Lá me sentei entre o pessoal com quem tinha ido: aperto daqui, aperto dali e chegou para todos.
Na sala andavam já alguns actores caracterizados. Em cena estava House of no more de Jemma Nelson com encenação e set/video de Caden Manson. Algo estranho para os parâmetros do teatro clássico, a apresentação fala de uma vertiginosa sátira da sociedade dos media que mistura desembaraçadamente teatro, televisão, comédia, filme de horror, trash TV. Júlia anda à procura de uma filha que afinal não tem, e pelo meio percebemos que ela própria é mais que uma só personagem, numa esquizofrenia que nos deixa também meio esquizofrénicos… Mas, para além da história, está a presença em palco, que é algo de fascinante: vemos as cenas que correm em palco através do filtro da filmagem, em três telas de projecção. E o que vemos é em tempo real, ao mesmo tempo que percebemos as montagens que são feitas para criar cenários, planos, sobreposições de planos e personagens, com duplos e triplos… Só visto. Acho que não sou capaz de explicar sem fazer desenhos… e não os vou fazer! Mas deixo mais uma foto que pode ajudar a perceber como aquilo era feito...
