Por isso, vou tentar escrever qualquer coisa rápida sobre os dois conflitos em âmbito social nos quais Jesus entreviu além dos «justos» e «pecadores» de ontem. Por um lado os Evangelhos apresentam-nos Jesus a fazer frente ao conflito entre ricos e pobres. Os ricos eram relativamente poucos (o rei Heródes e a sua corte, as famílias dos sumo-sacerdotes, e os anciãos do povo que eram por norma os grandes proprietários das terras); alguns artesãos, sem serem ricos, tinham a sua vida assegurada pelo seu trabalho; a grande maioria do povo vivia na pobreza, não necessariamente no limite da pobreza, mas na precariedade do trabalho por jornas… Muitas vezes estes eram vítimas dos ricos (Mc 12, 40; Lc 20, 47).

Não se pode dizer que Jesus não procure o bem dos ricos, nem que evite a sua companhia. Várias vezes O vemos em banquetes por eles oferecidos… E é emblemático o exemplo de Zaqueu (Lc19, 1-10) para ver como procura a salvação de todos. Mas a verdade é que se Ele faz alguma preferência, se se mete do lado de alguém é em primeiro lugar do pobre: os pobres foram os primeiros e principais destinatários do seu anúncio.
Quanto ao último conflito, entre homens e mulheres, pode dizer-se que a sociedade em Israel era fortemente patriarcal e machista. A mulher era sempre objecto da decisão do homem… Como em muitas outras sociedades daquele (e deste?) tempo, a sua dignidade fundamental nem sempre era respeitada.

Exemplos de como Jesus se mete do lado da mulher, que mais sofria as consequências da marginalização, podemos vê-los na discussão com os saduceus sobre a ressurreição (Mt 2, 22-32) ou quando é interrogado sobre a questão do divorcio (Mt 19, 1-9). Mas é sobretudo uma referência o texto do encontro de Jesus com a Samaritana (Jo 4, 1-42) para ver como, para Jesus, trata a mulher como digna de todo o respeito.
Também aqui se há uma opção em Jesus é sempre por quem é objecto de maior marginalização ou exclusão. Ele quer que os conflitos sociais seja ultrapassados, para bem de todos, mas sobretudo para bem daqueles que são os mais débeis na situação presente.
O «Reino de Deus», neste âmbito social, assume um papel de intervenção e libertação. Superar os conflitos para que todos tenham uma igualdade fundamental no respeito pela dignidade humana, igualdade de oportunidade, que vejam respeitado o seu direito a uma vida humana condigna. E sempre com uma dimensão de «opção preferencial» pelo mais pobre, pelo eu mais sofre, pelos últimos…